Maior rigor derruba inadiplencia

Maior rigor derruba inadimplência

Em seis meses, novas regras do inquilinato diminuíram em 38% os atrasos no pagamento de aluguel de imóveis em Pernambuco.
Despejos caíram 20%


Em seus primeiros seis meses de atuação, as novas regras do inquilinato já estão produzindo resultados positivos no mercado de aluguéis. Em Pernambuco, somente entre janeiro e maio deste ano, a inadimplência nos 30 dias iniciais do contrato caiu 38%. Paralelamente, as ações de despejo diminuíram 20%, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi).

Apesar disso, a promessa de que a desburocratização no processo de despejo dos maus inquilinos iria atrair mais investidores e aumentar a oferta de imóveis no mercado ainda não se cumpriu. Pelo menos não a ponto de derrubar o preço do aluguel no Recife. Segundo o presidente do Secovi-PE, Luciano Novaes, esses efeitos só serão sentidos em dois anos. “Será quando as novas ofertas entrarão no mercado. Atualmente os prédios ainda estão sendo construídos”, explica.

Em comparação com o resto do Brasil, a conjuntura econômica de Pernambuco é particularmente contrária à queda dos preços de aluguel. A demanda por locação cresce em velocidade bem superior à oferta de unidades habitacionais. Por causa dos altos investimentos que estão ocorrendo no Estado, hoje Pernambuco é o Estado que mais cresce do Nordeste. “A mão de obra que vem de fora para trabalhar em Suape está inflacionando o valor dos aluguéis da cidade, principalmente na Zona Sul”, revela Novaes.

Por essas razões, quem trabalha no ramo de corretagem dispõe de uma carta de aluguéis muito restrita. “Se tivesse 20 apartamentos para alugar, faria isso em menos de dois meses sem a menor dificuldade. Mas acontece que hoje tenho apenas um apartamento para disposição. E não é porque as pessoas têm medo de colocar seus bens para locação, pois as novas regras do inquilinato diminuíram esse tipo de receio. É porque ainda não é possível ofertar mais imóveis, pois muitos deles ainda estão sendo levantados”, acredita o corretor autônomo Rogério Matos.

A situação na Moradasol Imobiliária é semelhante. Segundo o gerente de locação da empresa, Fernando Castro, os imóveis que estão sendo esperados para entrar no mercado desde que entraram em vigor as novas regras do inquilinato em janeiro deste ano ainda não vieram. Prova disso é que hoje só 70 unidades habitacionais disponíveis para aluguel na empresa. “Há dois anos, teríamos o triplo disso”, diz Castro.

Para arrematar a situação, os trabalhadores que vêm de fora contam com mais facilidades para alugar imóvel. Dentre as alterações previstas no Decreto-Lei nº 11.112, está uma que permite que o contrato de aluguel seja feito sem a figura do fiador. Basta fazer um título de capitalização ou um seguro fiança. “Para quem não conhece ninguém na cidade é uma mão na roda. Três entre dez contratos de aluguel que faço hoje não têm mais fiador”, diz o corretor Samuel Marques, da MG Imobiliária.

 
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